09 de abril de 2020

#CulturaEmCasa: 16 clássicos do cinema em P&B dirigidos por mulheres para conferir nesta quarentena

Confira a seleção feita pela nossa curadora de cinema, Juliana Costa

Cinema

Texto: Sarah Lima
Curadoria: Juliana Costa

Chegamos na segunda semana de abril de 2020, uma das mais importantes dentro do cenário de Covid-19 no Brasil, visto que as projeções indicam um colapso no sistema de saúde do país. Portanto, o isolamento social segue sendo extremamente necessário para achatar a curva de casos.

Nesse período de quarentena, trazemos indicações e dicas culturais para curtir dentro de casa. Hoje  chega ao site da Revista Clandestina uma mostra muy especial feita pela nossa curadora de cinema, Juliana Costa, que reúne 16 clássicos do cinema em preto e branco dirigidos por mulheres. Confira abaixo:

#01-  As Consequências do Feminismo (Le résultats du feminisme, 1906, França), de Alice Guy

Les Résultats du féminisme (As conseqüências do feminismo) é um filme de comédia silenciosa francês de 1906, dirigido por Alice Guy. Foi refeito em 1912 como no ano de 2000. O filme apresenta uma sociedade onde os papéis de homens e mulheres foram invertidos. Homens levemente efeminados costuram, passam roupa e cuidam das crianças, enquanto mulheres machistas bebem e leem jornais em cafés e homens da corte. 


 

#02- Suspense (Suspense, 1913, EUA), Lois Weber

O filme começa com uma empregada que, ao ir embora, que deixa um bilhete, sai silenciosamente pela porta dos fundos e coloca a chave embaixo do tapete.  A dona da casa, uma mãe com seu recém nascido deixados sozinhos, e a chegada de um personagem inesperado dá inicio a trama.

#03 - The Love Light (The Love Light, 1923, EUA), Frances Marion

Angela (Pickford), uma garota italiana, se despede de seu segundo irmão caçula quando ele sai para se juntar às tropas. Logo em seguida recebe a notícia de que seu irmão mais velho foi morto na guerra. e Simultaneamente o personagem Giovanni (Bloomer), que ama Angela, tenta confortá-la, e então ele também é chamado para integrar o exército. Deixada sozinha, Angela é feita guardiã do farol, dando assim, início a narrativa.

#04 - A Aldeia do Pecado (Baby ryazanskie, 1927, URSS), Olga Preobrazhenskaya

Anna, órfã dos pais, vive a sós com sua tia Aliona, no pacato distrito agrícola de Riazan. Certo dia, Aliona reencontra Wassily, um viúvo e rico fazendeiro local, acompanhado de seu filho Ivan, para ajudá-lo com o carregamento de trigo. Coincidentemente, Anna que estava indo ajudar sua tia com o trabalho, passava pelo local. Anna conhece Ivan: é amor à primeira vista. Aliona aproveita a ocasião e a apresenta a Wassily, que também fica encantado com a beleza da jovem órfã. Ivan tenta de todas as formas se aproximar da sobrinha de Aliona, mesmo tendo que primeiro enfrentar a figura intransigente e rude do pai. Consegue alcançar seu objetivo. Em breve ficam unidos pelo laço matrimonial. A única coisa que Ivan não sabia era que seu pai nutria um duvidoso gosto pelo pecado.

 

#05 - A Queda da Dinastia Romanov (Padenie dinastii Romanovykh, 1927, URSS), Esfir Schub

Com uso de imagens de arquivo, o documentário traz uma narrativa cronológica da Rússia de 1913, ano que marca os 300 anos e a queda da Dinastia Romanov, à 1917. Há a apresentação de cidadãos de várias classes: líderes, nobreza, camponeses, soldados, marinheiros burguesia e também o czar.

 

#06 - A Concha e o Clérigo (La coquille et le clergyman, 1928, França), Germaine Dulac

Primeiro filme surrealista, que discorre sobre o desejo reprimido de um clérigo. Retrato e crítica a uma sociedade que oprime seus indivíduos, faz de seus desejos mais primitivos pecados mortais, levando-os a loucura.

#07 - Quando a Mulher se Opõe (Merrily We Go to Hell, 1932, EUA), Dorothy Arzner

Jerry Corbett (Fredric March) é um alcoólatra que nunca superou a perda de seu antigo amor, Claire (Adianne Allen). Ele se casa com Joan (Sylvia Sidney), mas sua felicidade conjugal é abalada quando Claire surge novamente em sua vida.

#08 - Tramas do Entardecer (Meshes of Afternoon, 1943, EUA), Maya Deren

Maya Deren é uma mulher aprisionada dentro de casa, sufocada pelo cotidiano doméstico. Ela é atormentada por múltiplas visões, se despedaça em diferentes personalidades, e não consegue diferenciar muito bem, enquanto cochila, o sonho da realidade. Seu olhar para por longos segundos em qualquer objeto doméstico: uma faca em cima do pão, a porta destrancada, o telefone fora do gancho.

#09 -  O Mundo é o Culpado (Outrage, 1950, EUA), Ida Lupino

Uma jovem recém pedida em casamento tem sua vida destruída ao sofrer um abuso a caminho de casa.

 

#10 - Cartas de Amor (Koibume, 1953, Japão), Kinuyo Tanaka

Cinco anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Reikichi Mayumi, um homem triste e perturbado, encontra um novo emprego, escrever cartas de amor para outras pessoas. Suas ideias sobre o amor e seus princípios pessoais serão testados quando ele se reencontra com Michiko, sua ex-namorada, uma mulher com um passado sombrio marcado pela guerra e a posterior ocupação de seu país por parte das forças militares norte-americanas. 

#11 Le Pointe Court (Le Pointe Court, 1955, França), Agnes Varda

Um casal em crise retorna para o pequeno vilarejo de "Pointe Courte", no qual Lui, o marido, viveu sua infância. Os dois passam por momentos de reflexão sobre seu relacionamento, ao mesmo tempo em que o cotidiano dos moradores flui ao seu redor.

La Pointe Courte (1955, Agnès Varda) / Cinematography by Paul ...

#12 Araya (Araya, 1959, Venezuela), Margot Benacerraf

Araya é uma salina natural da Venezuela, cujos recursos têm sido explorados manualmente há muitos anos. Margot Benacerraf mostra a vida dos salineiros e seus métodos de trabalho, com imagens de refinada poesia.

Documentarista tem história revista em filme - DM Online

 

#13 - A Entrevista (1966, Brasil), Helena Solberg

O documentário tem como base entrevistas feitas com jovens de classe média alta entre 19 e 27 anos sobre suas aspirações em relação ao casamento, sexo, profissão e submissão ao marido. Mesmo aquelas que se consideravam mais "lúcidas" e "modernas" mostram seu perfil mais tradicional da mulher idealizada, envolvida por romantismo feminilidade.

A entrevista: Helena Solberg autoinscreve-se em cena ao ...

#14 - O Retrato de Jason (Portrait of Jason, 1967, EUA), Shirley Clarke

O Retrato de Jason é uma montagem dos melhores momentos de uma entrevista de doze horas com Aaron Payne, mais conhecido pela alcunha de Jason Holliday, figura peculiar da década de 60 nos Estados Unidos. Entre cigarros e bebidas, Holliday narra fatos de sua vida e tece comentários diversos e observações sobre o que significa ser e como é ser um homem negro e gay naquele país, naquela época.

Favoritos de 1967 | Anotacões de um Cinéfilo

#15 - Exploda a Minha Cidade (Saute ma Ville, 1968, França), Chantal Akerman

Primeiro curta de Chantal Akerman, realizado quando ela tinha 18 anos. Nele, a diretora faz o papel de uma jovem em seu apartamento, utilizando objetos e o próprio corpo como material expressivo, num trabalho próximo às performances dos finais dos anos 1970.

#16 - Carta Camponesa (Kaddu Beykat, 1973, França / Senegal), Safi Faye

Carta Camponesa conta a história de Ngor e Coumba, casal que vive em uma pequena vila no Senegal e há tempos tenta se casar. Os dois enfrentam muitas dificuldades para sobreviver e se manter juntos, porque a colheita de amendoim, única opção comercializável “herdada” da colonização, está sofrendo com a falta de chuvas. Permeando uma linha fluída entre documentário e ficção, uma vez que a diretora filma o cotidiano de sua própria vila, expondo as agruras e as delícias do dia a dia de seu povoado, Safie Faye trabalha a dicotomia entre tradição e modernidade, além de fazer uma dura crítica à colonização francesa dos povos africanos. Foi o primeiro longa metragem africano dirigido por uma mulher a ser distribuído comercialmente. Cópia do Arsenal Institut de Berlim.

Safi Faye | Artista | Filmow

Quase todos os filmes da curadoria estão disponíveis gratuitamente no canal Clássicos de Mulheres no Cinema

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